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Out 12
publicado por Nuno Amado, às 14:40link do post | comentar | ver comentários (1)

- Tem algum método de escrita, rotina ou truques?

Começo o mais cedo possível, já com o duche e o pequeno-almoço tomado, quando as padarias ainda estão a abrir.

 

- Faz muitas pausas?

Costumo escrever sem intervalos. Quando tento fazer uma pausa de dez minutos corro o risco que ela se prolongue por uns dias.

 

- Espera pela inspiração?

Não, porque nas várias ocasiões em que combinámos encontrarmo-nos, ela chegou sempre muito atrasada. Descobri que ela gosta de me surpreender quando já estou a trabalhar. No entanto, seria simpático se me visitasse mais vezes.

 

- Escreve a computador ou à mão?

A computador, no word, sentado mas com as costas nem sempre direitas.

 

- Usa um tipo de letra específico?

Times new roman, mas também consigo, se estiver bem disposto, escrever em calibri.

 

- Tem manias como acabar sempre uma página, por exemplo?

Poucas de que me lembre. Costumo não deixar frases a meio.

 

- Pensa logo no título ou surge depois?

Surge depois. Muito depois. Como o convidado para um lanche que se confunde e chega à hora do jantar.

 

- Faz algum esboço das personagens e trama? (seja em papel, seja mental) Se não faz, como se processa a construção do livro?

Guardo no caos do meu cérebro alguns aspectos da trama e algumas características das personagens. Vou acrescentando ao esboço, pouco a pouco, esperando que se torne num retrato.

 

 

- A primeira frase mantém-se ou muda depois?

Depende; quando se mantém é bom sinal.

 

- Evita ler livros quando escreve?

Pelo contrário, leio mais e com mais prazer.

 

- Ouve música enquanto escreve, ou prefere silêncio?

Oiço música e, quando o trabalho corre bem, só noto muito depois do disco terminar que estou em silêncio há algum tempo.

 

- Se sim, que música ouve?

Procuro que seja música consonante com o que quero narrar.

Muitas vezes é música que me faz sentir que o que estou a ouvir é bem melhor do que o que estou a escrever, e que é bem possível que eu só escreva porque não tenho qualquer talento para a música.

 

- Qual é a sensação que fica, quando termina um livro?

Várias. Sinto alegria, melancolia e a suspeita de que não está mesmo acabado. Há pequenas explosões de orgulho em que penso “Toma lá Tolstoi, isto não é assim tão difícil!”, mas também arroubos de neurose que me levam a murmurar “Que desperdício de tempo e páginas, mais valia ter copiado a palavra disparate para cento e oitenta páginas”.

 

 

- Trabalha em mais do que um livro ao mesmo tempo?

Por enquanto não.

 

- Escreve em casa?

Sim. Sempre na mesma secretária. Já tentei escrever na mesa da cozinha, mas acabei a tentar fazer “peixinhos da horta”.

 

- O que é que não pode faltar na sua mesa de trabalho?

Apetece-me escrever “paciência” mas um escritor não deve abusar dos trocadilhos.

 

- Em que é que está a trabalhar neste momento?

Ia começar um épico que revelaria ao mundo a essência da alma humana, que revolucionaria não só a literatura como a maneira como a humanidade se vê a si própria. Mas ofereceram-me bilhetes de época para o Sporting e vai ter de ficar para outra altura. Entretanto penso escrever qualquer coisa mais humilde, algo que uma pianista reformada possa ir lendo num banco do Jardim da Estrela interrompendo a leitura de tempo a tempo para olhar em volta e murmurar “que coisa maravilhosa é a vida!”.

 

 

-  Já deitou fora muita coisa que tenha escrito? Manuscritos inteiros ou coisas soltas?

Está tudo em pastas de discos rígidos guardados em gavetas onde também estão bilhetes de concertos, telemóveis avariados e chaves que em tempos abriram uma porta que já não sei qual é.

 

- Como é que dá o nome às suas personagens?

É o primeiro que me vem à cabeça. Por vezes, passado algum tempo, o nome já não serve e mudo-o.


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