07
Mai 12
publicado por Nuno Amado, às 08:19link do post | comentar

No topo da Europa

 

A crise prolonga-se, o desemprego aumenta, a economia sofre. Todas as semanas
noticiam-se estatísticas que colocam os Portugueses na cauda da Europa, por
vezes até mesmo debaixo da cauda, a ser chicoteados por esta. Contudo, foram
divulgados os resultados de um importantíssimo estudo que revela que, no que
realmente interessa, os Portugueses ganham a medalha de ouro. As mulheres
portuguesas não só têm relações sexuais com mais frequência que as outras
mulheres europeias, como são também as mais satisfeitas com a sua vida sexual.
88% das portuguesas mostra-se feliz com a sua vida erótica! O país com
resultados mais próximos é a Espanha, com uns medíocres 75%. Quanto à rica
Alemanha, de que lhe serve todo o poder e todos os biliões de euros, de que lhe
serve ser governada pela mulher mais poderosa da Europa, quando 47% das
mulheres alemãs diz não fazer amor sequer uma vez por semana (em Portugal
apenas 19% das senhoras estão nesta situação). Pior, dos países estudados, só
mesmo a Suécia, onde apenas 45% das mulheres procura o paraíso nos lençóis pelo
menos uma vez por semana, e onde existe também a maior percentagem de mulheres
que nem uma vez por mês honra os Deuses Vénus e Apólo. Não admira, pois, que o
Algarve, assim que faz algum calor, se encha de nórdicas à procura do consolo
dos sedutores latinos, de falinhas mansas, bigodes fartos e inglês macarrónico.

 

Outro estudo confirma o nosso domínio na arte de amar. Neste caso, questionados quer homens,
quer mulheres, 54% dos portugueses afirmava fazer amor duas vezes por semana.
Mostrámos ser também dos povos mais espontâneos. 94% dos portugueses lançavam-se
na prática de páginas do Kama Sutra sem planear. 2% planeava com 15 minutos de
antecedência e só 5% precisavam de meia hora ou mais. É possível que esta falta
de planos seja criticada pela troika, e que em breve o Governo crie legislação
para que o nosso planeamento amoroso se aproxime mais da média europeia. Se a
situação não melhorar, não ponho de parte que, pelo menos para os funcionários
públicos, se torne obrigatório o preenchimento de uma Requisição de Autorização
para Acto Amoroso (Formulário AB 6 – REF 253436), a ser assinada pelo casal e
entregue no departamento adequado.

 

Os portugueses são um povo muito peculiar. Está na sua natureza conseguir grandes feitos, mas
também duvidar destes. Os velhos do Restelo não descansam. Por todo o país, nos
cafés, nas esplanadas, nos transportes públicos, junto à máquina de café dos
escritórios, há sempre quem esteja cheio de vontade de mandar tudo abaixo. Não
duvido de que se uma equipa de investigadores portugueses descobrisse a cura
para o cancro, logo algum velho de Restelo comentaria esse avanço civilizacional
dizendo: “Pois, pois, isso do cancro até resolvem….mas para a minha azia, nada!
Experimento tudo o que os médicos mandam e, sempre que como alheira, parece que
tenho no estômago a batalha de Aljubarrota!”. Ora, quando as equipas de
reportagem saíram à rua para divulgar os grandes feitos dos portugueses e
portuguesas nas artes amorosas, a reacção não foi diferente. Perguntados sobre
a enorme frequência de relações sexuais das portuguesas, os entrevistados
respondem: “Mentem!”. Inquiridos sobre a sua opinião face ao surpreendente
facto dos portugueses serem dos mais espontâneos no leito: “Há povos mais
espontâneos! Os italianos, por exemplo….”. A única coisa em que os estudos e as
pessoas entrevistadas na rua concordam, é que os portugueses são muito
envergonhados no que toca aos assuntos sexuais. Pelos vistos, falamos pouco e
fazemos muito. Eu já estou cansado de velhos do Restelo e da falta de brio nas
nossas conquistas. Desafio um novo Camões para que venha celebrar os belos e
felizes actos que os casais portugueses praticam mais do que qualquer outro
povo. Até deixo uma sugestão para o início destes novos Lusíadas do amor:

 

Canto I

 

As moças e os varões enrolados

Na areia da praia Lusitana,

Livres, arfantes e pelados,

Mostraram ao mundo como se ama,

Em beijos e carícias esforçados,

Mais do que prometia a força humana,

A triste e terrível crise olvidaram

No êxtase do amor que cantaram.


26
Abr 12
publicado por Nuno Amado, às 10:07link do post | comentar

 

Vou estar este Domingo na Feira do Livro, na Praça Leya às 16. Com uma caneta, caso alguém queira um rabisco.

 


10
Abr 12
publicado por Nuno Amado, às 08:00link do post | comentar

Há quem diga que a internet é uma das mais fabulosas criações do espírito humano, que permite o contacto entre
pessoas de todo o mundo, facilita a troca de conhecimentos e experiências,
permite a solidariedade, a inter-ajuda e a partilha imediata de qualquer vídeo
de um gato a teclar num computador ou de um elefante a jogar à bola. Mas também
há quem diga que a internet é a prova de que a humanidade vai, mais cedo ou
mais tarde, para o inferno, que substitui relações reais por amizades supérfluas,
que promove a mais indecente pornografia, permite o crime e a partilha imediata
de qualquer vídeo de um homem a ser atingido por variados objectos nos
testículos. Os defensores destas duas posições provavelmente utilizarão sites
diferentes para as justificar. No entanto, creio que encontrei um site que pode
servir para os dois argumentos.

 

Muitos leitores estarão familiarizados com sites que aconselham hotéis baseando-se exclusivamente na
opinião de pessoas que neles dormiram, mostrando não só os seus comentários,
mas calculando uma nota média. Ora, uma comunidade de mulheres criou um site deste
tipo onde podem partilhar experiências, ajudarem-se umas às outras a lidar com
uma forma específica de sofrimento e a evitar experiências potencialmente
traumáticas. Só que as suas opiniões não são sobre hotéis, restaurantes ou
jardins de infância. São sobre homens, ou melhor, homens com quem tiveram
encontros amorosos. A tradução do nome do site para português é algo como “o
salvador de mulheres” e afirma ser o site mais cotado em date screening, expressão inglesa e sofisticada que significa “avaliação
da posição no eixo sapo-príncipe de um potencial par amoroso”. Vale a pena
parafrasear o texto apresentado:

 

Se ao menos houvesse uma forma de
falar com as ex de um homem antes de se envolver com ele e de poder verificar
potenciais parceiros de forma simples e gratuita. Agora pode pesquisar e avaliar
antes de ter encontros, promovendo relações amorosas mais seguras por todo o
mundo. Milhões de mulheres colocaram online a sua experiência para ajudar à
partilha de informação para que outras mulheres possam tomar as suas decisões
sobre potenciais parceiros amorosos, de forma mais inteligente e segura.

 

Este site oferece também conselhos sobre infidelidade e adultério pela internet, estatísticas sobre monogamia,
formas de perceber se um homem está a ter um caso e as razões pelas quais os
homens mentem e traem. Um artigo ilustrativo dos conteúdos fala dos sete sinais
de um homem perigoso.

 

Mas o aspecto mais bizarro deste
site, é que ele contém uma base de dados enorme com os nomes e avaliações de
milhares de homens. Estes são avaliados de 0 a 20 em quatro características:
fidelidade, potencial para abuso, compromisso e carácter (em traços gerais).
Estas quatros características são calculadas através das respostas dadas pelas
ex-namoradas destes a questões sobre o que o homem em causa diria se fosse
apanhado a trair, quantas vezes se divorciou, se ajuda em casa (a carregar
coisas pesadas, realizar pequenos reparos e coisas afins). Mas a questão que
acho mais curiosa é “Descreva o egoísmo deste homem?”, porque assume que, não
só todos os homens são egoístas, mas que são muito criativos no seu egoísmo,
requerendo descrições detalhadas deste. Além desta avaliação, os dados do homem
são depois afixados, não só onde ele reside, mas quais os nicknames que utiliza
em diferentes sites.

 

Chamem-me um romântico tolo, mas faz-me confusão que se utilize, para a decidir sobre a nossa cara metade, o
mesmo método que se usa para escolher um hostal para dormir em Barcelona. Acredito
que a maior parte dos homens que vá parar a este site esteja bem mais perto do
sapo no eixo sapo-príncipe. Mas, e o que dizer das mulheres que visitam este
site. Ao ler alguns dos comentários reparei que havia mulheres que visitavam
este site há anos, parecendo que o faziam não tanto para avaliar um homem que
haviam conhecido e com que estavam a pensar sair num encontro amoroso, mas para
se deliciarem na indignação partilhada perante mais um cafageste que é desmascarado.

 

Afinal retiro o que disse no início. Este site não serve para argumentar a bondade da internet. Mais do que
tudo é um exemplo de que como o mundo online se aproxima cada vez mais do
inferno. Para quem se consolar com isso, com certeza existirão sites avaliando
as condições dos vários níveis do inferno. Já imagino os comentários dos
utilizadores:

 

Travis

Casal_Maduro_53

 

Não gostámos nada. A localização é péssima.

Esteve sempre um calor insuportável e o diabo não só se mostrou
muito antipático como foi incapaz de sugerir um sítio bom para jantar.


16
Fev 12
publicado por Nuno Amado, às 09:42link do post | comentar

 

O poder sedutor da barba de três dias

 

Como uma geração inteira de treinadores portugueses bem sabe, os pêlos faciais de um homem transmitem muito mais do que preguiça no uso de uma lâmina de barbear. Mas, quando se trata de encantar as senhoras e senhoritas, qual deverá ser a opção? Preferem as mulheres um homem barbeado com a pele tão lisa como o rabo de um bebé? Será uma barba farta e medieval o caminho para o coração feminino? Ou a melhor opção é a barba de três dias, esse look cultivado por homens modestos como o Brad Pitt e o Mourinho? Para evitar que centenas de milhares de homens gastassem tempo das suas vidas produtivas com estas questões, investigadores da Universidade de Northumbria realizaram um estudo para averiguar qual o tamanho ideal de pêlo facial para seduzir as senhoras. 

O procedimento do estudo não é complicado. Através de um programa informático de edição de imagem, pegaram numa série de fotografias de caras de homens e aplicaram-lhes 5 níveis diferentes de pilosidade: sem qualquer barba, muito pouca barba (“a sombra do meio dia”), barba de três dias, barba oficial (daquelas que precisa de pelo menos uma semana para ser desenvolvida) e barba longa (mais de um mês). As senhoras que participaram no estudo avaliaram depois uma combinação das diferentes caras com as diferentes barbas. Os investigadores esperavam que as preferências não fossem iguais para todos os níveis de pilosidade, já que, de acordo com a perspectiva evolutiva, a presença da barba aumenta o tamanho percepcionado do maxilar inferior, reforçando a visão dos dentes como armas, o que é o mesmo que dizer que a barba é sinónimo de masculinidade e de agressividade.

Os resultados podem ser desanimadores para muitos. Primeiro há más notícias para os fabricantes de produtos de barbear. Os homens completamente barbeados foram avaliados como sendo mais imaturos, menos masculinos, agressivos e dominantes e os menos apetecíveis para relações a longo prazo. Contudo, as grandes barbas, do tipo que costuma ser a opção estética de eremitas, profetas e cantores folk também não eram muito apetecíveis para as senhoras, que acharam que os homens que as usavam eram os mais masculinos, agressivos e socialmente dominantes, e, simultaneamente, os mais feios e os menos apetecíveis para uma relação a curto prazo.

Os homens com barba de três dias foram, seguidos dos homens com uma sombra de barba, os que mais encantaram o género feminino. Os investigadores explicam tal opção defendendo que as mulheres preferem homens com níveis intermédios de masculinidade. Um homem sem barba pode parecer imaturo e pouco masculino, o tipo de homens que perante a presença de uma barata na sala acha que a melhor opção é sair de casa e chamar a polícia. Por outro lado um homem de grande barba pode achar que a melhor opção para lidar com a barata é pegar num machado e destruir metade da mobília na perseguição do insecto. Quanto ao homem com barba de três dias, ele lidará com a barata de forma eficaz: levantando. o sapato apenas o suficiente para o golpe misericordioso.

É importante referir que o estudo foi realizado em Inglaterra e que os investigadores comentam que poderá haver diferenças culturais. Agora, eu creio que o estudo levanta mais questões do que fornece respostas. Por exemplo, se quanto mais barba mais agressividade, será que um bigode farto numa cara barbeadinha equivale a uma barba de três dias? E será uma barba de seis dias usada só em metade da cara o mesmo? E que dizer de umas patilhas? Poderão estas, quando desenvolvidas até bem abaixo da orelha transmitir às senhoras uma sensação de virilidade controlada? E as peras a rodear o queixo? Qual o seu potencial erótico (se algum)? Será um bigode Pedro Abrunhosa mais atraente que um bigode Artur Jorge? E quanto aos bigodes que têm as pontas enroladas para cima, será tal visto como um sinal indubitável de virilidade? É que, do meu conhecimento, não há estudos que nos permitam responder a estas importantes questões. Os cientistas preocupam-se em combater o cancro, prolongar a vida, diminuir as doenças de coração e coisas assim. Mas depois há uns pobres coitados que andam por aí com combinações de pelos faciais demasiado ridículas para serem descritas sem sequer o consolo de poderem afirmar que houve um estudo que justifica tal opção, sem poderem dizer em sua defesa que o estudo X mostra que há mulheres que se sentem atraídas por homens com meio bigode em degradê, barba de 7 dias e patilhas de duas semanas. É uma vergonha…


08
Fev 12
publicado por Nuno Amado, às 15:43link do post | comentar


23
Jan 12
publicado por Nuno Amado, às 10:10link do post | comentar | ver comentários (1)

O "Ups! Já fiz asneria outra vez" tem direito a duas páginas na Lux Woman deste mês. É ir comprar...


13
Jan 12
publicado por Nuno Amado, às 15:03link do post | comentar

Sobre gestão de tempo e outros assuntos:

 

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?hl=en_US&formkey=dDRxMGhyclIwM3dMXzRKei1LWXoxNmc6MQ#gid=0

 


12
Jan 12
publicado por Nuno Amado, às 10:10link do post | comentar

Apesar de sermos ensinados desde pequenos que a beleza vem do interior, muitos estudos mostram que as pessoas têm uma enorme facilidade em quantificar a beleza. Quem duvidar disto pode armar-se com um conjunto de fotografias de pessoas diferentes e ir para a porta do metro pedir a quem de lá sai para avaliar a beleza dos fotografados de 1 a 10. Depois de alguma resistência inicial (o pedido é um pouco estranho!), a maior parte dos questionados será capaz de dizer um número. Várias investigações mostram que este número oscilará pouco. Ou seja, pessoas muito bonitas serão avaliadas com 7, 8 e 9, e pessoas menos favorecidas pelos genes ou pelo deus das maçãs do rosto serão avaliadas com 3, 4 ou 5. Afinal, existe uma enorme concordância sobre o que constitui um rosto bonito e o que constitui um rosto feio, mesmo que tenhamos dificuldades em explicá-lo. Para tal existem alguns estudiosos que investigam coisas como a simetria de um rosto, as diferentes proporções dos olhos face ao nariz, a espessura ideal dos lábios e outros detalhes destes.

 

Ora, esta concordância sobre a beleza não é, afinal, surpreendente. Por algum motivo a alemã Cláudia Schiffer é possuidora de atributos físicos que ajudam a vender cosméticos, champôs e produtos afins enquanto que a sua Chanceler, Angela Merkel, dificilmente seria a primeira escolha para vender roupa interior ou maquilhagem. Aliás, embora o futuro de muitas pessoas possa depender da Senhora Merkel, a maioria de nós espera que tal não envolva outdoors da Chanceler em lingerie.

 

Nestes estudos da percepção e quantificação da beleza a nossa capacidade de avaliarmos um rosto é claramente diminuída quando esse rosto pertence a uma pessoa em especial: nós mesmos. Quando estamos a avaliar desconhecidos, a nossa avaliação não é muito diferente da de qualquer grupo de pessoas. Contudo, quando nos estamos a avaliar a nós mesmos, achamo-nos, muitas vezes, bem mais ou bem menos bonitos do que as outras pessoas nos acham. Esta falha é ainda maior no caso dos homens. Se as mulheres já são más a avaliarem quão bonitas são (basta ouvir a quantidade de Top Models que diz que se acha feia!), os homens, de acordo com os estudos realizados, são péssimos juízes de quão atraentes são. Assim, não será incomum que alguns tipos cuja cara parece um esboço do Picasso que o próprio pintor deixou de lado por achar demasiado desequilibrado, se considerem verdadeiros Johnny Depps. Como também será frequente que alguns sósias do Brad Pitt olhem para o espelho e vejam um pequeno Frankenstein.

 

Um dos motivos pelos quais os homens falham tanto na sua percepção de beleza pode ser em parte explicado pela menor importância que as mulheres dão à beleza física dos homens na escolha de parceiros amorosos. Não será, pois, estranho que um homem feio, mas com outros atributos, como, por exemplo, ser um músico famoso ou um milionário com vontade de gastar, seja um sucesso junto das senhoras. Já o contrário, uma mulher horrenda cheia de qualidades, poderá até ser alvo da paixão de vários homens (quiçá os menos superficiais), mas dificilmente verá dezenas destes a caírem-lhe aos pés oferecendo-lhe diamantes. Um homem nunca poderá, assim, inferir quão bonito é pelo interesse que as mulheres têm nele, ao passo que uma mulher muito bonita, com inteligência mínima, poderá compreender que todas as flores que recebe, todas as propostas para fins-de-semana em iates e todos os copos oferecidos por desconhecidos desesperados por agradar, se devem à forma como a sua pele assenta nas maçãs do rosto, as sobrancelhas se desenham sobre os olhos ou à espessura da sua boca tendo em conta o tamanho do seu queixo.

 

O facto de a beleza física ser facilmente quantificável faz desta, ainda mais, um atributo carregado de injustiça. Para resolver este problema, alguns Gregos antigos tentaram equacionar beleza e bondade, mas a verdade é que o interior não corresponde, muitas vezes, ao exterior. E, contudo, para muitos homens é difícil não acreditar que a modelo italiana Monica Belluci deve ser uma pessoa maravilhosa, generosa e humilde, cheia de ternura por tudo e todos. É também possível que a própria Monica Belluci se olhe ao espelho e se ache pouco atraente. Se isto acontecer, não duvido que, de imediato, muitos homens se mostrarão  prontos para a consolar… sem dúvida por a considerarem uma excelente pessoa.


06
Jan 12
publicado por Nuno Amado, às 09:18link do post | comentar | ver comentários (1)

 

O cenário é conhecido. Uma festa de amigos, tigelas com passas na mesa, copos de espumante ou de champanhe meio vazios (ou meio cheios), pratos de plástico com restos de comida. As pessoas sorriem, desejam bom ano, trocam beijos e abraços e cumprem rituais mais ou menos bizarros. E nesses primeiros minutos, nessa euforia agendada, contempla-se o ano acabado de nascer e com o exagero da paternidade recente diz-se: “este ano é que é.”

 

Vai ser o ano em que vamos deixar de desperdiçar tempo. Vai ser o ano em que vamos ficar em forma, comer saudável, abandonar de vez os vícios que nos têm prejudicado ao longo da vida. Vai ser o ano em que vamos dominar finalmente o inglês ou aprender uma língua nova…francês, espanhol, ou porque não mesmo o chinês? Afinal, é tudo possível. Vai ser o ano em que não vamos apanhar mais multas seja de que tipo for. Desta vez teremos tudo tratado a tempo. As obrigações serão cumpridas antes mesmo da data final. Vai ser o ano em que nos vamos aplicar a sério no trabalho. O ano em que fazemos aquela pós-graduação que sempre quisemos fazer. O ano em que vamos cozinhar como a avó ou como chefs e deixar de associar as refeições à sequência das palavras congelador-micro-ondas-tabuleiro-em-frente-à-televisão. O ano em que poupamos para a nossa viagem de sonho. O ano em que fazemos a nossa viagem de sonho. O ano em que deixamos de contrair dívidas estúpidas. Em que vamos mesmo ao ginásio. Vamos passar mais tempo com os amigos, e não falar apenas pelo facebook. Este vai ser o ano em que voltamos a ir ao cinema como quando éramos novos. Em que não vamos deixar escapar os concertos das nossas bandas preferidas. É até bem possível que seja o ano em que começamos a ir ao ballet e à Opera. E o ano em que não perdemos um jogo em casa. O ano em que vamos apreciar as pequenas grandes coisas da vida.

 

Quase um ano depois, talvez mesmo no jantar de 31 de Dezembro, percebemos que a maior parte das resoluções de fim de ano não passou de uma intenção. Porquê? Aconteceu isto e aconteceu aquilo, claro. Mas foi apenas por isso que os planos não se realizaram?

Desta vez, mais do que dezenas de resoluções específicas, talvez seja melhor tomar uma resolução global da qual dependem todas as outras. Se o leitor tiver que escolher apenas uma resolução de fim de ano para cumprir, pois que seja a resolução: “este ano não procrastinarei!”

 

(Retirado do Ups! Já fiz asneira outra vez)

 

E um excelente 2012 para todos!

 


12
Dez 11
publicado por Nuno Amado, às 10:46link do post | comentar

Já está disponível a entrevista para o site novos livros. É só clicar aqui.


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