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Set 11
publicado por Nuno Amado, às 15:12link do post | comentar

Mais tarde ou mais cedo, na vida da maior parte dos homens, chegará o momento em que uma mulher olhará para eles e, segurando dois diferentes pares de sapatos nas mãos, lhes perguntará de qual gostam mais. A pergunta parece inocente. À superfície a única coisa que é preciso fazer será apontar para o par se sapatos A ou para o B, consoante a preferência. Contudo, pobre coitado daquele que julgar que isto basta. Primeiro, indicar simplesmente de que sapatos se gosta mais sem referir os outros é um erro tremendo. Sendo o género feminino muito mais empático que o masculino, a mulher sentirá pena dos sapatos não escolhidos e ficará de imediato arreliada com o homem pela sua insensibilidade face aquele excelente exemplo de calçado. Muitos homens reagirão então precipitadamente e elogiarão o par não escolhido. Outro erro. Aí a mulher perguntará porque não foram então esses os seleccionados. O homem mostrou assim, não só ser insensível como incoerente.

 

A maior parte dos homens não está equipado para racionalizar a sua preferência por sapatos femininos. Nas poucas vezes em que de facto, preferimos o par A ao par B, é porque sim. Infelizmente, “porque sim” não é uma resposta que seja aceite por uma mulher nesse momento difícil e conturbado que é a escolha de um par de sapatos. Ela quer razões, uma justificação, uma lógica. Há uma série de truques que podem ser utilizados para tentar sair desta situação difícil. Uma opção é a sedução-e-fuga. O homem diz algo como “estás mesmo bonita hoje!” ou “Estás mais magra! Acho que nunca te vi assim!” beija a mulher e sai de cena alegando que se lembrou agora de ter deixado o carro com as janelas abertas e destravado no meio de uma rotunda. Outra opção é mentir. Se a mulher quer uma razão pois inventa-se uma. “Esse sapatos são os que gosto mais, porque vão melhor com os teus olhos.”. Para algumas mulheres tal será suficiente e poderá ser necessário avançar justificações mais consistentes. É aqui que convém aprender algum vocabulário.

 

Se os sapatos tiverem bolinhas ou traços ou manchas, podemos dizer que “gostamos mais deste padrão!”. Pode-se falar da fivela, do salto, de serem ou não abertos à frente. O truque está em encontrar uma diferença entre um par e outro par que pareça, para a mente feminina, justificar a nossa opção. Falar da cor costuma resultar, mas pode-se dar o caso de os sapatos serem da mesma coloração (em cujo caso, argumenta-se que se gosta mais do tom do par A). Ajuda também utilizar adjectivos como elegante, sofisticado, moderno, clássico, primaveril, relaxado e afins, mesmo que não percebamos de que forma se aplicam a calçado.

 

O homem sensato deve pois, quando este momento surge, responder algo como:

“Gosto dos dois. Esse par é muito bonito, mas é demasiado clássico. Este aqui é mais sofisticado e a fivela é muito gira. Além disso esse padrão está na moda e penso que esse tipo de salto te fica melhor!”

 

Se é difícil aos homens produzir uma opinião sobre sapatos de mulher, já sobre a mini-saia as justificações masculinas são imediatas: sim, sim e sim. Esta peça de vestuário é o exemplo típico de que less is more. Menos tecido, mais pernas. Como há estudos sobre tudo, também há estudos sobre a mini-saia. Parece que a altura destas está intimamente relacionada com a idade das mulheres. Quando estas começam a usar as mini-saias, aos 14 anos, ainda as usam com tamanhos modestos, 45 cms. Dos 14 para os 16 acontecem muitas coisas, e uma delas é uma diminuição do tamanho médio de mini-saia utilizado para os 35 cm. A descida continua até aos 24 anos de idade. É neste período que as mulheres utilizam as suas saias mais curtas: 31 centímetros. Nos últimos vinte anos o que sucedia então era que, a partir dos 24 o tamanho da saia ia aumentando vertiginosamente. Aos 40 anos as saias regressavam ao tamanho inicial de 45 cms, e aos 50 já iam em 80 cms. Contudo, a combinação de uma cultura cheia de revistas femininas e talk-shows para mulheres, com a expansão do acesso a cirurgias plásticas e a proliferação de ginásios levou a uma mudança enorme na forma como as mulheres lidam com os seus corpos e com os tecidos que os cobrem. Um estudo de 2009 mostra que as mulheres de 40 anos utilizam agora mini-saias com o tamanho médio de 35 centímetros. Mais uma das vantagens do progresso.

Agora, se ao menos os homens pudessem substituir ter de escolher entre um par de sapatos pelo decidir o tamanho da saia…


Adorei.. bjs
Catarina Vilão a 19 de Setembro de 2011 às 18:24

Bom dia,

Este blog está novamente em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Boa continuação!

Pedro
Pedro Neves a 23 de Setembro de 2011 às 12:07

Evidentemente masculino, ligeiramente misógino, seguramente inseguro e com uns piropos dolorosos.
Apenas a sua fotografia me distrai e desconcentra.
O menino, meu caro, não vai entender jamais o que existe na cabeça das mulheres quando são os pés que estão em causa.
Gaffe a 23 de Setembro de 2011 às 21:19

Bem... o meu marido nunca teve dificuldades em dizer-me quais os sapatos que devo calçar até porque a escolha não é difícil uma vez que não pertenço ao grupo das mulheres com uma extensa coleção dos mesmos, porque me preocupo muito com o conforto que estes me possam trazer e o preço é limitativo no que conta à aquisição de vários pares!
Admito no entanto que por vezes homem e mulher não estejam em "sintonia" no que toca à comunicação.
Quanto ao tamanho da mini-saia, tenho 39 anos e para o meu marido, e só para ele, prefiro desfilar sem saia alguma ;)
golimix a 25 de Setembro de 2011 às 17:09

... melhor não poderia ser!... no entanto é assustador o quanto podemos ser previsiveis! ... Já alguma vez viu o CAVEMAN? uma peça de teatro quer fala sobre a relação entre homem/mulher ?...
Inês a 19 de Outubro de 2011 às 15:46

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