07
Set 11
publicado por Nuno Amado, às 09:50link do post | comentar | ver comentários (1)

Gosto muito de filmes onde se vê a primeira vez que um casal dá as mãos.


05
Set 11
publicado por Nuno Amado, às 14:47link do post | comentar

Há quem diga que já não há heróis. Muitas mulheres deixaram de esperar que um príncipe em cavalo branco as venha salvar. Os homens que pretendem discordar, muitas vezes perguntam: Mas salvar do quê? De uma vida monótona? Da crise financeira? De um pneu furado? Nos filmes é comum que as mulheres bonitas sejam sujeitas a perigos físicos, raptos, malfeitores com enormes facas. Na vida real, felizmente, são poucas as ocasiões em que as mulheres precisam de ser salvas. Mas, mesmo assim, nessas situações, seriam os “homens de hoje em dia”, que fazem grande parte do seu exercício físico na Playstation, para quem uma barata é um animal selvagem e que consideram um acto intrépido tentar estacionar no Bairro Alto em Lisboa, capazes de fazer o que é correcto? Se existissem mesmo dragões haveria algum homem disposto a enfrentá-los? James Van Iveren, responderia que sim, que ele tinha dentro de si a coragem e a convicção suficientes para o tornar num príncipe encantado capaz de derrotar os malfeitores e salvar as donzelas em perigo. Mas antes de contar a peculiar sucessão de eventos do dia fatídico em que o nome de James Van Iveren saltou para os jornais, convém lembrar Dom Quixote.

 

A imortal personagem criada por Cervantes era um fidalgo envelhecido que acreditava ter em si a fibra e a alma de um herói. Tendo lido livros a mais, Dom Quixote partiu à procura de aventura acompanhado de Sancho Pança, uma figura bem mais nutrida e realista. A ânsia por aventura era tão forte para Quixote que acabou investindo com a sua lança contra moinhos de vento que julgava serem poderosos gigantes.

 

Ora, Van Iversen mais não é do que o Quixote moderno, mas a sua aventura teve um fim bem menos literário que a do cavaleiro espanhol: o tribunal. Num subúrbio de Milwaukee, com o impronunciável nome de Oconomowoc, vivia o nosso herói, então com 39 anos, na companhia da sua mãe. Na manhã onde tudo se passou, James estava em casa a ouvir música quando o ruído de uma donzela em perigo lhe chegou aos ouvidos sensíveis. A voz perturbada vinha do apartamento acima. Os sons eram claros e pareciam indicar que uma mulher estava a ser violada. Durante algum tempo ele procurou ignorar esses sons, tentando provavelmente convencer-se de que algo tão horrível não podia estar a ocorrer tão perto dele, apenas do outro lado do tecto. Mas os ruídos não acabaram, e a voz da mulher continuava a fazer-se ouvir, os gritos e gemidos assustadores ressoando pela casa. James achou que não podia ficar mais tempo quieto. Havia mesmo uma mulher a ser violada e ele não podia permitir que tal continuasse. Chamar a polícia estava fora de hipótese já que ele não tinha telefone mas, quis o destino que James tivesse herdado uma antiga espada de cavalaria. O nosso herói desembainhou-a e, armado para o que desse e viesse, subiu escadas acima com a determinação de Dom Quixote cavalgando de encontro aos moinhos.

 

Algum tempo antes, Bret Stieghorst, um estudante de uma Universidade local e vizinho de cima de James Van Iveren, decidira ver um DVD pornográfico em espanhol sobre uma prática sexual específica. Ele escolhera este DVD apesar de não perceber a língua porque as actrizes eram sensuais, embora não tenha sido exactamente este o termo que ele usou para as classificar. Os gritos de ajuda que o vizinho de baixo pensara ouvir mais não eram que os gritos de suposto prazer que o vizinho de cima vira na televisão. Qual a surpresa de Bret quando James Van Iveren, com um pontapé, rebenta a fechadura da porta e lhe entra pela casa a dentro, espada em punho, berrando “Onde está ela? Onde está ela?”. Tal como Quixote não se deixou convencer por Sancho Pança de que eram Moinhos os seus opositores e não gigantes, também James precisou que Bret o levasse de divisão em divisão abrindo armários e portas para que o primeiro acreditasse que ali não estava mulher nenhuma.

James foi acusado de três crimes diferentes, alguns deles graves, já que se encontrava na posse de uma arma. O seu comentário a todo o evento foi que se sentia estúpido e que havia tudo sido um erro. Quanto ao vizinho, além de provavelmente passar a ver a pornografia com o som mais baixo, reconheceu o heroísmo de James, mas não abdicou do seu direito de ser recompensado pela porta destruída.

 

James acabou por pagar 141 dólares pela porta, mas evitou ir para a prisão. Teve também direito a acompanhamento psiquiátrico. Dom Quixote nunca teve tal sorte.


26
Jul 11
publicado por Nuno Amado, às 07:59link do post | comentar | ver comentários (3)

Alguns estudos científicos são como os fantasmas. Apesar de não existirem, são causadores de muito falatório e espanto. Um dos meus estudos-fantasma preferidos é um estudo sobre o impacto da contemplação do decote na saúde dos homens. Por toda a internet, em revistas de mais ou menos credibilidade cita-se um estudo feito na Alemanha, em que participaram 500 homens, tendo sido pedido a metade deles que olhasse todos os dias compenetradamente para seios femininos e à outra metade que se abstivesse de o fazer. O período de duração do estudo era épico: 5 anos. A autora havia concluído que os sujeitos contempladores das curvas femininas demonstraram menor tensão arterial, pulsos mais lentos e menos episódios de perturbações cardíacas. O estudo havia, alegadamente, sido publicado no New England Journal of Medicine, uma revista científica de qualidade.

Encantado com a comprovação científica do que o meu bom senso já indicava, que a GQ, e especialmente as suas capas, estariam a promover a saúde e a longevidade dos homens portugueses, fui procurar a investigação original. Qual a minha desilusão quando descobri que na revista citada não existe nenhum estudo que relacione a admiração do peito com a saúde do coração. Investigações posteriores mostraram-me que este estudo é tão real como os príncipes Nigerianos que me enviam e-mails a pedir dinheiro para reaverem a sua herança. Tenho de fazer aqui um Mea Culpa e admitir falta de senso científico. Afinal, lendo friamente a descrição do estudo é fácil perceber que este não existe. Alguém acredita que 250 homens se abstiveram de olhar para seios femininos durante 5 anos?

Outro estudo ainda mais citado, ao ponto de as suas conclusões inventadas serem aceites como factos, compara o número médio de palavras que as mulheres e os homens dizem num dia. Este alegado estudo refere que os homens dizem três vezes menos palavras que as mulheres. O número de palavras ditas varia consoante a publicação onde ouvimos citadas estas conclusões. Há quem escreva duas mil palavras para os homens e seis mil para as mulheres, e quem coloque esses valores em 5 e 15 mil, respectivamente. Percebo que estas conclusões, mesmo para o mais ocasional observador da natureza humana, seja fácil de acreditar. A ideia de que as mulheres falam muito mais do que os homens parece ser confirmada em qualquer jantar, programa de televisão ou discussão conjugal.

No entanto, quando procurei encontrar estudos que comprovassem a avalanche verbal feminina encontrei o oposto. Um estudo de elevada qualidade (e que existe!), publicado na estimada Science comprova que homens e mulheres falam…o mesmo. Já agora, os valores são 16215 palavras por dia para as mulheres e 15669 para os homens, não sendo esta uma diferença significativa. Contudo, a amplitude dos homens é maior, porque possuíam quer o participante que falava menos, com umas lacónicas 500 palavras por dia, quer o mais fala-barato, com 47000.

Apesar de os valores médios serem semelhantes, desconfio que o uso da palavra não é igual nos dois sexos. Acredito que as mulheres falam quase todas muito, ao passo que os homens se distribuem entre os que falam pouco, alguma coisa e os que falam demais. Basta ver que, entre os comentadores televisivos sempre dispostos a produzir tsunamis verbais, a maior parte são homens.

Um mito comum confirmado por este estudo prendia-se sobre os temas que produziam mais falatório entre homens e mulheres. As senhoras discursavam mais sobre outras pessoas e relações interpessoais, ao passo que os senhores o faziam sobre temas mais concretos e impessoais. Ou seja, as mulheres falam mais de temas essenciais como o que A fez a B e o que C tinha vestido, ao passo que os homens não se cansam de perorar sobre questões fundamentais como quais os membros do plantel da sua equipa ou quantos cavalos tem determinado motor. Mas não era preciso um estudo científico para que acreditássemos nisso…


08
Jul 11
publicado por Nuno Amado, às 08:16link do post | comentar

publicado por Nuno Amado, às 08:14link do post | comentar

Inquietações, insultos e invectivas para amado.nuno@sapo.pt

 


07
Jul 11
publicado por Nuno Amado, às 08:44link do post | comentar

06
Jul 11
publicado por Nuno Amado, às 08:42link do post | comentar

01
Jul 11
publicado por Nuno Amado, às 08:59link do post | comentar


20
Jun 11
publicado por Nuno Amado, às 08:31link do post | comentar | ver comentários (1)

"Deus é o lado fresco da almofada"

 

Cocteau


14
Jun 11
publicado por Nuno Amado, às 11:58link do post | comentar | ver comentários (1)

Vou falar sobre diferenças de altura entre casais na secção "conversas de café" do Programa da Conceição Lino, na SIC.


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